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Mulher-Maravilha – Historia: As Amazonas

De Kelly Sue DeConnick, Phil Jimenez, Gene Ha e Nicola Scott
232 páginas
Panini Comics | 2023
Tradução: Dandara Palankof

Mulher-Maravilha – Historia: As Amazonas é o quadrinho de super-herói menos “super heroico” de 2023 e a roteirista Kelly Sue DeConnick não tem medo disso. Ao longo de três edições, compiladas em um volume único, a autora entrega, ao lado dos desenhistas Phil Jimenez, Gene Ha e Nicola Scott, um épico grego sobre a formação das Amazonas.

A origem da Mulher-Maravilha e de suas irmãs da ilha de Themyscira já foi muito revisitada, ao longo dos 82 anos da personagem. Porém, algo que se mantém intocado é a conexão com a mitologia grega. DeConnick abraça essa face ao propor uma história povoada por deusas e seu impacto na vida humana. Mas o ponto central de As Amazonas é o olhar para o desequilíbrio nas relações entre homens e mulheres, sejam eles divinos ou não. As guerreiras são criadas como uma resposta das deusas Ártemis, Héstia, Deméter, Hécate, Afrodite e Atena à opressão feminina pelos homens, que raramente foi punida por deuses com comportamento tão masculino quanto o de seus filhos terrenos.

O quadrinho tece uma história de vitórias e derrotas, ressalta as Amazonas como heroínas que buscam justiça, em um mundo injusto. Com isso, prepara o campo para a vinda daquela que se tornou a filha mais famosa de Themyscira. Tudo isso sem pressa, sem fugir do tom proposto.

Como uma HQ inspirada nas narrativas gregas, As Amazonas tem proporções homéricas também na arte. Os cenários são grandiosos, detalhados, e com muito espaço para explorar os aspectos divinos e fantásticos da trama. Phil Jimenez, Gene Ha e Nicola Scott conseguem criar uma coesão visual, ao mesmo tempo em que trazem características próprias, em cada uma de suas edições. A arte de Nicola Scott é a que nos chamou mais a atenção, com um equilíbrio fascinante entre um visual cheio de elementos e uma narrativa gráfica precisa.

Mulher-Maravilha – Historia: As Amazonas é uma história de perspectiva feminina, um conto de formação da rainha Hipólita, que homenageia os mitos gregos. Pode parecer pouco uma HQ de super-herói já que, de fato, os autores fogem do convencional. Mas o heroísmo está ali o tempo todo, nos elementos fundadores da ética, força e sabedoria de Diana de Themyscira.

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Batman Um Dia Ruim: Duas Caras

De Mariko Tamaki, Javier Fernandez e Jordie Bellaire
64 páginas
Panini Comics | 2023
Tradução: Yuri A. O. Primitz

Mariko Tamaki faz uma história que pouco impressiona em Batman: Um Dia Ruim – Duas Caras. O que deveria ser uma história, em teoria, mais voltada para o vilão, se torna uma trama comum e um tanto previsível do Homem-Morcego.

Harvey Dent procura o Batman porque recebe uma ameaça envolvendo a festa de 88 anos de seu pai. Bruce Wayne pouco questiona quais seriam as intenções do Duas Caras com esse pedido de ajuda, afinal, interpreta que aquilo é um resquício de Dent, ainda preocupado com sua família, a despeito de tudo o que o vilão já causou.

Batman não apenas concorda em proteger a festa de aniversário, como também inclui Cassandra Cain e Stephanie Brown na missão. A parceria com as duas traz mais leveza para o quadrinho, mas a trama ainda não empolga. Tamaki até tenta prender nossa atenção com a dualidade (óbvia) do Duas Caras: será que Harvey Dent está ali ainda ou o lado vilanesco dominou por completo aquele homem? Porém, a resposta é previsível, o que quebra qualquer suspense.

A arte de Javier Fernandez, somada às cores de Jordie Bellaire, é bem funcional, mas nada que vá muito além disso. A caracterização do pai de Dent está longe da de uma pessoa de quase 90 anos e as cenas de ação praticamente não causam impacto. Sejamos justos, há, sim, boas cores e enquadramentos interessantes, mas a arte não é inspirada, como um todo.

Para uma leitura sem muitas expectativas, Batman: Um Dia Ruim – Duas Caras pode até passar como uma boa história. Mas vindo do ótimo Batman: Um Dia Ruim – Charada, a comparação é inevitável. Temos pouquíssimo aprofundamento no personagem-título, que, no fim das contas, parece apenas um vilão fazendo vilanias, como em qualquer outro gibi do Batman.

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Wolverine: O Velho Logan

De Mark Millar e Steve McNiven
224 páginas
Panini Comics | 2019
Tradução: Mario Luiz C. Barroso

O Velho Logan é um quadrinho ideal para quem procura por uma excelente história de aventura e que usa de maneira divertida os clichês dos bons filmes de ação. Mark Millar nos imerge numa aventura louca, fazendo com que o leitor não pisque nem por um segundo, cativado por uma história feita para divertir.

Em um futuro alternativo, no qual os vilões dominaram os Estados Unidos e destruíram os heróis que conhecemos, Logan é um dos poucos sobreviventes. Vivendo em uma fazenda e longe de seu passado nos X-Men, ele é atormentado pela gangue de hulks. Para conseguir continuar vivendo desse jeito e com a ameaça de violência contra sua família ele, ao lado do Gavião Arqueiro, precisa enfrentar uma jornada pelo país.

A trama tem um ótimo ritmo, com muitas cenas de violência banhadas a sangue. O ponto alto da história chega quando é revelado o motivo do protagonista ter jurado não usar mais a força e, tenham certeza, por aqui o choque foi grande. É um momento que nos faz entender toda dor que o personagem carrega. Na arte, as ilustrações de Steve McNiven são fantásticas, com uma pegada que valoriza muito as expressões faciais dos personagens.

No geral, O Velho Logan foi uma leitura extremamente empolgante. Uma história que entrará para nosso hall de melhores histórias de super-heróis. E mais, não somente os fãs do Wolverine vão adorar essa HQ, e sim, todos os admiradores do universo dos heróis.

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Batman: Ano 100 e Outras Histórias

De Paul Pope
272 páginas
Panini Comics | 2019

Sem dúvidas, Batman: Ano 100 é uma HQ difícil e bastante excêntrica. Há uma atmosfera sombria e provocativa, criada por Paul Pope, que traz uma visão muito original do homem-morcego.

A trama gira em torno da aparição misteriosa do Batman cem anos após seu surgimento. O protagonista agora é o principal suspeito da morte de um agente federal em Gotham. Com um roteiro ousado, até por fugir dos conflitos convencionas, a história não nos empolgou, pelo potencial que aparentava ter. Acreditamos que a trama prometeu mais do que cumpriu e deixou mais respostas do que deveria.

A arte de Paul Pope é o grande destaque da HQ. As poses do herói, as sequências de ação e até como o autor demonstra visualmente o medo dos inimigos ao encontrar o Batman são fantásticas.

Independente do roteiro não ter nos agradado tanto, Batman Ano 100 é uma experiência válida, uma introdução do personagem muito diferente de tudo que já lemos até agora.

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Supergirl: Mulher Do Amanhã

De Tom King, Bilquis Evely e Mat Lopes
208 páginas
Panini | 2022
Tradução: Erick Garcia

Supergirl: Mulher Do Amanhã reúne algumas das características dos trabalhos anteriores de Tom King, embora, desta vez, ele siga um caminho distinto. Embarcamos ao lado de King, a desenhista e o colorista brasileiros Bilquis Evely e Mat Lopes, em uma space opera narrada em tom de prosa.

Este é um quadrinho da Supergirl… Ou pelo menos é sobre Kara Zor-El. Isso porque a narração é da jovem alienígena Ruthye, que perde o pai, assassinado pelo vilanesco Krem. É em busca de vingança, que Ruthye se depara com a Supergirl. Logo, as duas passam a viajar juntas pelo espaço, para encontrar Krem, agora parte de um bando de criminosos. Ao longo das 8 edições que compõem o encadernado, passeamos por novos mundos e subplots são criados, a cada parada.

Ruthye não conhecia Kara, por isso, acompanhar a narrativa através da ótica de alguém que está descobrindo quem é a Supergirl é interessantíssimo. Há um tom lírico em alguns acontecimentos e, sobretudo, no texto. O modo como a narradora conta essa história reflete também sua própria maneira de falar. Ruthye é polida, detalhista e verborrágica. Trazer esse traço da personalidade tagarela da personagem é enriquecedor, mas a quantidade de recordatórios longos e inchados de palavras reduz o ritmo da trama e pode torná-la cansativa.

Em algumas passagens, a HQ vai da aventura ao drama, afinal, é isso que se espera de King. Ele explora o sentimento de solidão de Kara e as memórias da destruição de Krypton. Já no caso de Ruthye, há uma discussão mais moral: ela é uma criança que deseja que o homem que matou seu pai pague com a mesma moeda.

A construção dos mundos pelos quais as personagens passam remete a Star Wars, Star Trek, ou Saga. Tudo é brilhantemente desenhado por Bilquis Evely. Ela explora a versatilidade dos visuais que a obra pede e consegue imprimir sentimentos nas mais diferentes criaturas. Destaque também para o belo casamento entre arte e cores, ressaltando os cenários.

Mesmo que não tenha equilibrado nosso interesse durante todo o encadernado, Supergirl tem passagens de uma delicadeza ímpar, além de uma conclusão que nos deixa com aquele sorriso esperto no canto do rosto.