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O Pacificador: Pertubando a Paz

De Garth Ennis, Garry Brown e Lee Loughridge
48 páginas
Panini Comics | 2022
Tradução: Antonio Tadeu

Em uma one-shot originalmente publicada no mesmo mês da estreia da série de TV do personagem, Pacificador: Perturbando a Paz visita a infância e juventude trágicas de Christopher Smith. Já habituado a histórias de guerra, Garth Ennis é acompanhado por Garry Brown e Lee Loughridge nesse quadrinho que tem elementos próprios da identidade do roteirista, mesmo que esteja longe de ser tão bom quanto outros trabalhos que já assinou.

Em um cemitério de ex-combatentes das Forças Armadas norte-americanas Christopher Smith, o Pacificador, se encontra com a Dra. Sedgewick, uma psiquiatra contratada para avaliar seu estado de saúde mental, para que ele possa ingressar em uma nova unidade das Forças Especiais. A conversa é o ponto de partida para que Ennis nos leve para os sucessivos traumas que formaram o Pacificador e, a partir disso, suas motivações. O seu conceito de paz.

O senso ético torto e a maneira fria e detalhista, com a qual o anti-herói narra os acontecimentos do passado funcionam bem com os flashbacks apresentados. E se engana quem imagina que encontrará o mesmo Pacificador do seriado de James Gunn, o tom é completamente distinto e o humor bem menos presente. Há vários clichês e é notável que essa não é uma história que promete originalidade. O resultado final é um quadrinho redondo, que consegue se desenvolver, considerando suas pouco mais de 40 páginas.

A arte de Garry Brown parece rascunhada, com sombras formadas por hachuras e quadros com destaque para as expressões dos personagens. Como não poderia faltar, a HQ tem boas cenas de ação, em especial uma página dupla que é muito bem colocada.

Para quem, como nós, teve pouquíssimo ou nenhum contato com o Pacificador nos quadrinhos, a HQ pode funcionar como um ponto de partida, com destino final. A obra não promete mais do que cumpre, mesmo que não se aprofunde nas questões éticas e psicológicas do protagonista. Elas estão ali para que criemos nossas próprias conclusões.