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Popeye: Um Homem Ao Mar

De Ozanam e Lelis
120 páginas
Skript | 2021
Tradução: Márcio dos Santos Rodrigues e Mônica Cristina Corrêa

O marinheiro Popeye é daqueles personagens que transcendem. Mesmo que seu contato com ele não tenha sido tão intenso, a figura do marinheiro rabugento, comedor de espinafre, é clássica e reconhecível para diversas gerações, mesmo que de maneiras diferentes. O que Ozanam e Lelis fazem em Popeye – Homem Ao Mar, publicado no Brasil pela Skript, é uma bela homenagem ao personagem e sua origem, numa HQ que usa os elementos clássicos da obra de E. C. Segar, transportados para um mundo mais realista.

O enredo traz um Popeye entristecido pela queda na pescaria. Assim, ele decide, ao lado de seu amigo Bosco, partir para a cidade em busca de uma oportunidade de emprego. Em paralelo, temos Olivia e seu irmão Castor, que está em busca de um tesouro, deixado por um navio inglês perseguido por piratas. Ah, e também conhecemos Dudu, o pai de Popeye e Bluto, que fazem pontas ocasionais ao longo da HQ. Assim, o roteiro vai costurando situações que transitam entre dilemas do mundo real e situações curiosas, envolvendo esses personagens, em referências às obras originais.

Não é novidade que Popeye tem uma relação bonita com o mar. E algumas das cenas mais poéticas dessa HQ são justamente os diálogos entre o marinheiro e o oceano, com confidências e indagações. Apesar de um tom melancólico presente durante toda a obra, a releitura de Lelis e Ozanam também flerta com o humor característico das histórias do personagem. Temos brigas, diálogos engraçados e, claro, bordões como “macacos me mordam”, mesmo que essa seja uma releitura mais “pé no chão”.

A arte de Lelis casa perfeitamente com a obra. Sem dúvidas, é o grande destaque da HQ, na nossa opinião. Os traços são dinâmicos e trazem um toque de fantasia para a obra, principalmente nas cores.

Pode ser que o leitor menos familiarizado com Popeye não tenha a mesma sensação nostálgica que a obra pode provocar. Mas a homenagem está feita, até mesmo nos detalhes, como vemos ao final. Não temos aqui uma aventura, nem um drama, tampouco uma comédia. O que predomina é o tom de releitura. Conhecemos aqueles personagens, mas a maneira como eles são apresentados a nós é original.