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O Menino Rei

De Felipe Pan, Olavo Costa e Mariane Gusmão
160 páginas
Nemo | 2022

O raio caiu duas vezes no mesmo lugar. O trio Felipe Pan, Olavo Costa e Mariane Gusmão, autores do ótimo Gioconda, apresenta, um ano depois, outro belo trabalho. O Menino Rei se dedica a contar a curta trajetória do faraó Tutancâmon, talvez o mais famoso no ocidente. Além de muita pesquisa sobre a história do Antigo Egito, o quadrinho passa também pelos aspectos místicos e divinos para desenvolver uma trama sobre vida e morte.

A fama de Tutancâmon muito se deve ao fato de sua tumba ter sido encontrada intacta, há cem anos. Revelando, entre muitos artefatos, uma máscara mortuária que se tornaria um símbolo da opulência e poder da civilização egípcia. O que vamos ver na HQ, que já traz no nome uma de suas características, é que Tut foi um rei-menino, que precisou aprender a governar e a sobreviver, diante das adversidades. Seu pai, Akhenaten, havia feito uma reforma religiosa monoteísta, que rompeu com as crenças egípcias. Com sua morte, o que o jovem faraó herda é um conflito religioso em âmbito político e até mesmo pessoal. Qual caminho seguir?

Mesmo que tenha espaço para o místico, o roteiro de Pan é embasado em uma década de pesquisa, esmiuçada em várias páginas de notas ao final do livro. Inclusive, recomendamos que essa leitura seja feita em paralelo, para que a experiência seja ainda mais completa. Assim, o leitor verá que cada diálogo e cena, além de compor bem a narrativa, têm uma razão de existir. O julgamento post mortem de Tut, diante das deidades do Antigo Egito, é um recurso que não só remete à pauta religiosa, como também é um fio condutor para o enredo.

A arte de Olavo, somada às cores de Mariane, completa uma ambientação rica em detalhes, com ótimas páginas duplas e destaque para os hieróglifos, ornamentos, costumes e demais elementos que solidificam a ambientação. É tudo lindo, vivo, impressionante.

Ótimo para leitores que buscam obras históricas, O Menino Rei funciona como um mergulho no Egito dos faraós, seus deuses e seus feitos. Publicada pela Nemo, essa é daquelas HQs que nos explicam determinado assunto, sem a pretensão de ensinar. Como uma aula deliciosa, em que cada página é um portal para milênios atrás.

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Gioconda

De Felipe Pan, Olavo Costa e Mariane Gusmão
112 páginas
Nemo | 2021

Francisco se encanta com a beleza da Mona Lisa sempre que está trabalhando na galeria onde o quadro está situado, no Louvre. Na verdade, o faxineiro do museu nutre uma relação carinhosa com aquela mulher de olhar enigmático e sorriso que até hoje é um mistério. Eis que, um dia, no metrô, Francisco parece ter visto a obra-prima de Leonardo da Vinci em carne e osso. Seria possível a arte ganhar vida? A proposta de Gioconda, de Felipe Pan, Olavo Costa e Mariane Gusmão é encantadora. O quadrinho flerta com o realismo mágico, em uma delicada história de amor.

Apesar de assumir essa roupagem doce e até romântica, a HQ não se torna melosa ou mergulha em clichês. O roteiro de Felipe Pan é bem amarrado e consegue dosar no ponto certo os elementos que tornam este um quadrinho mágico. Gioconda é uma leitura leve, bem ritmada e que proporciona uma reflexão sobre o poder transformador da arte.

Além da história, o quadrinho se destaca pelo visual deslumbrante. O traço de Olavo Costa ganha mais vida e magia com as cores lindíssimas de Mariane Gusmão. Parte do tom da obra vem justamente dessa estética moderna, mas que homenageia a História da Arte.

Publicado pela editora Nemo, Gioconda é uma bela surpresa entre os quadrinhos brasileiros de 2021. Mesmo que esteja recheada de referências à arte e, claro, à pintura que dá nome ao quadrinho, esta é uma obra que funciona bem para os mais diversos públicos, inclusive para quem nunca leu quadrinhos. Uma leitura deliciosa e inspiradora.