De Mathieu Bablet e Guillaume Singelin
216 páginas
Comix Zone | 2025
Tradução: Fernando Paz
Repleto de influências dos mangás, Shin Zero cria todo um universo em que ser um sentai é uma mera profissão. E mais, uma profissão precarizada. Mathieu Bablet e
Guillaume Singelin homenageiam as histórias que cresceram lendo neste “mangá francês”, mas sem se prender apenas no campo do tributo. Esta é uma série inventiva, que logo no primeiro volume mostra todo o seu potencial.
Em um mundo onde kaijus eram uma ameaça constante, os sentai um dia foram considerados os heróis da nação. Vinte anos se passaram desde que o último monstro foi derrotado e agora os guerreiros não possuem mais o mesmo status. Para se tornar um, basta se inscrever em uma espécie de aplicativo. É nesse cenário que conhecemos cinco jovens, Warren, Sofia, Nikki, Heloise e Satoshi, cada um com seus próprios motivos para vestir seus trajes. Longe da glória de antes, a nova geração de guerreiros coloridos se vê fadada a atuar como seguranças ou vigias noturnos.
Bablet e Singelin conseguem não apenas explorar a dinâmica do grupo formado pelos jovens protagonistas, como também as individualidades de cada um. É justamente nelas que Shin Zero brilha e se aprofunda em sua crítica social. As analogias à uberização e ao sentimento de desesperança dos jovens de hoje não são apenas um verniz. Mesmo no primeiro volume esses temas são bem trabalhados e se desenvolvem em paralelos evidentes com o nosso mundo.
A arte é um charme à parte. Toda a estética colabora para a imersão nesse mundo em que sentais são parte da paisagem. Singelin é especialmente detalhista nos cenários, inundados de placas, cartazes e objetos. É como se todos aqueles espaços fossem tão vivos quanto os personagens. Não podemos deixar de mencionar também o uso pontual das cores dos uniformes de cada protagonista, em contraste com o visual apenas em preto e branco das páginas.
Prevista para ter três volumes e publicada pela Comix Zone, Shin Zero é uma leitura que passa voando. A dupla de autores consegue, desde o início da história, cativar o leitor e deixá-lo curioso para o que está por vir. Além da premissa criativa (e contundente com os nossos tempos) temos aqui um desenvolvimento à altura.








