Quadrinhos no Brasil: levantamento inédito detalha idade, gênero, raça e renda dos profissionais de HQs

Resultado do Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico foi divulgado nesta terça-feira.

30 dezembro 2025
Por Fora do Plástico
Foto: Pedro Ferreira | Fora do Plástico

O Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico divulgou nesta terça-feira (30) o resultado do mapeamento dos profissionais da nona arte no Brasil. A pesquisa, realizada pela Quadrinhopédia, em parceria com o Comitê Nacional de Quadrinhos e o coletivo Quadrinistas Uni-Vos, é uma iniciativa inédita, que colheu dados a partir de um formulário aberto até o fim de julho.

O formulário poderia ser respondido por qualquer pessoa que produza ou tenha produzido quadrinhos nos últimos cinco anos, entre desenhistas, roteiristas, arte-finalistas, coloristas e editores, mesmo que essa não seja sua principal atividade profissional. A partir das 831 respostas, o censo analisou dados como idade, região, raça, gênero, renda e início da atuação profissional.

O resultado é um ebook gratuito com mais de 170 páginas, que não apenas compila os dados colhidos pela pesquisa, como também traz textos de apoio assinados por Amaro Braga, Anderson Shon, Dani Marino, Nataniel dos Santos Gomes, Samela Hidalgo e Zé Wellington. O prefácio é do jornalista e tradutor Érico Assis.

A pesquisa sinaliza que os profissionais de quadrinhos no Brasil têm, em sua maioria, entre 31 e 40 anos, com 30,93% dos resultados, seguidos por aqueles entre 41 e 50 anos, com 26,84% das respostas, e entre 21 e 30 anos, com 24,19%. Cerca de 70% dos quadrinistas são homens cis, seguidos por 19% de mulheres cis. A porcentagem de homens trans é de 0,36%, enquanto a de mulheres trans é de 0,12%. Destaca-se a porcentagem de pessoas não-binárias, com 6% dos resultados.

Reprodução: Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico.

Os dados sobre raça/cor indicam que a maioria dos profissionais se identifica como branca, representando 60,89% do total. Em seguida, aparecem as pessoas que se declararam pardas, com 25,75%. A participação de pessoas pretas é de 6,74%, enquanto amarelas correspondem a 2,05% e indígenas a 1,44%. Há toda uma seção do censo dedicada a detalhar os dados raciais da pesquisa, em um comparativo entre brancos e negros (neste caso reunindo os resultados de todos que se identificaram como pardos ou pretos).

A concentração de quadrinistas na região Sudeste é de 48,86%. Na sequência, está a região Nordeste, com 19,86%, e a região Sul, com 16,25%. O censo também considerou quadrinistas brasileiros que vivem no exterior, com apenas 1,08% das respostas. No ebook que apresenta os resultados, há o detalhamento específico dos dados para cada região do país.

Reprodução: Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico.

Quase 50% dos quadrinistas, mais precisamente 49,10%, começaram sua atuação profissional quando tinham entre 21 e 30 anos. O período de início da atuação mais citado foi entre 2016 e 2020, com 30,32% das respostas. Há também muitos profissionais que adentraram o cenário nos últimos cinco anos, com 25,63% dos resultados.

Reprodução: Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico.

Mais de 70% dos profissionais não têm os quadrinhos como fonte de renda. Entre os que possuem, 29,96% responderam que recebem abaixo de um salário mínimo, e 28,04% entre 1 e 5 salários mínimos. A grande maioria tem origem da renda no Brasil, com cerca de 80% das respostas, e 10,92% no exterior. Há ainda a categoria “ambos”, com 7,72% dos resultados.

Outro dado importante destacado pela pesquisa é a predominância da autopublicação entre os profissionais dos quadrinhos: primeiro nas redes sociais, com 67,51% das respostas; depois na publicação independente impressa, com 40,31%. A esses dados somam-se ainda os fanzines, com 28,36%. A publicação por editoras teve 29,36% das respostas. A informalidade do setor também é sinalizada na categoria Nota Fiscal: 52,54% dos quadrinistas não emitem, enquanto 33,71% fazem a emissão como MEI.

Reprodução: Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico.

O Censo Nacional dos Profissionais de Quadrinhos e Humor Gráfico traz diversos outros dados sociais e profissionais, com o objetivo de ampliar a compreensão das necessidades dos profissionais da área, além de servir de base para auxiliar demandas antigas, como o melhor reconhecimento da profissão e o incentivo a novos editais de produção de quadrinhos.

“Pretendemos a cada cinco (05) anos realizar nova pesquisa para acompanhar as mudanças e evolução dos trabalhadores dos quadrinhos e humor gráfico. Esses dados serão de suma importância para que possamos conquistar espaço perante as políticas públicas para nossa área de atuação, para fundamentar projetos e pesquisas acadêmicas, e para nos conhecermos melhor”, destaca Paloma Diniz, uma das responsáveis pelo censo, em texto presente no ebook.

A equipe da pesquisa é composta por Lucio Luiz, responsável pela tabulação e construção dos gráficos do censo; Paloma Diniz, Daniel Esteves, Diogo Mendes, Guilherme Smee, que assina a diagramação, Bruno Alves, Gelson Weschenfelder e Lukas Silveira.

A iniciativa contou com apoio da Associação de Pesquisadores em Arte Sequencial (ASPAS), Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB), Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo (AQC-ESP), Associação de Quadrinistas do Rio Grande do Sul (AQUARIOS), Rede Nordestina de HQs e Norte em Quadrinhos.

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