
Um episódio esquecido da história brasileira ganha um novo olhar em um quadrinho amazonense. O Black Eye Estúdio publica em novembro a HQ “A Batalha de Itacoatiara”, que relembra o conflito ocorrido no município a 270 quilômetros de Manaus, durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Com roteiro de Emerson Medina e arte de Romahs, a obra terá evento de lançamento no dia 14 de novembro na Banca do Largo, em Manaus.
“A Batalha de Itacoatiara” revive o confronto naval que levou a guerra civil brasileira para o coração da Amazônia. A Revolução Constitucionalista, movimento armado iniciado em São Paulo contra Getúlio Vargas, que governava há dois anos sem Constituição nem eleições, teve também efeitos no norte do país. A revolta popular começou em Óbidos, no Pará, avançou até o Amazonas, e culminou no episódio que dá nome à HQ, ocorrido em 24 de agosto de 1932.
“Mais do que contar uma história esquecida, buscamos mostrar a importância da Amazônia em um momento-chave da formação política do Brasil. A Batalha de Itacoatiara demonstra que o movimento de 1932 não foi restrito ao Sudeste e Sul, mas teve reverberações nacionais, atingindo também nossa região”, explica em nota o historiador Raphael Russo, membro do Black Eye Estúdio.
Além do roteiro de Medina e arte de Romahs, “A Batalha de Itacoatiara” conta com arte-final de Tieê Santos, revisão de Beatriz Mascarenhas, edição de Thais Mannala e prefácio do jornalista e pesquisador Gonçalo Junior. O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo, do Governo Federal, e promovido por edital da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Amazonas (SEC), por meio do Fundo Estadual de Cultura e Conec, do Governo do Amazonas.
Essa não é a primeira vez que o Black Eye Estúdio revisita e amplia o alcance da história da região Norte através dos quadrinhos. Em 2020, a editora publicou “Ajuricaba”, de Ademar Vieira e Jucylande Júnior. A HQ indicada ao Prêmio Jabuti na categoria Histórias em Quadrinhos reconta como o líder dos Manaos, Ajuricaba, foi capaz de reunir mais de 30 povos contra as investidas da Coroa Portuguesa, e conseguiu impedir, durante cinco anos, sua expansão.











