De Masaaki Nakayama
Série completa: 1.020 páginas (Vol.1 324 páginas; Vol.2 324 páginas e; Vol.3 372 páginas)
Pipoca & Nanquim | 2025
Tradução: Drik Sada
Em PTSD Radio: Frequências do Terror, Masaaki Nakayama nos apresenta uma série de episódios curtos e aparentemente desconexos, marcados por presenças estranhas, rituais e espíritos. O resultado é um mangá com proposta inquietante, mas que, depois do impacto inicial, começa a dar sinais de desgaste por seguir uma fórmula bastante repetitiva.
Alternando entre passado e presente, a antologia passa a ganhar padrões à medida que avança, até que os cabelos aparecem como elemento comum entre as histórias. É a partir da divindade Ogushi, uma entidade ligada às madeixas, que o autor contextualiza esse mal de natureza bizarra, responsável por assombrar a vida dessas pessoas.
Nakayama aposta no horror corporal, abusando de deformações físicas e rostos distorcidos, mas há outro elemento recorrente, a sensação de que os personagens estão sendo observados. Dito isso, a virada de página funciona como sua principal arma para o choque, aparecendo quase sempre para encerrar os contos de forma abrupta.
A principal desvantagem, porém, está justamente nessa estrutura fragmentada. Algumas histórias funcionam como continuações ou retomam personagens já apresentados, mas, com tantos episódios em cada volume, fica difícil lembrar dessas conexões. Além disso, como já comentamos, há uma insistência nos mesmos recursos. A tentativa de arrancar um susto do leitor na virada de página e o mistério em torno de cada conto são usados à exaustão, o que torna a leitura previsível.
No terceiro e último volume, o mangaká inclui capítulos que trazem eventos estranhos que vivenciou antes e durante a publicação da série. Depois de tanta repetição ao longo da obra, esse trecho se destaca entre os melhores momentos do mangá.
Lançado pela Pipoca & Nanquim, PTSD Radio é uma leitura que chama atenção pela sensação de desconforto e por alguns bons momentos de horror. No entanto, a insistência nas mesmas estruturas ao longo dos contos acaba enfraquecendo a experiência como um todo.










