Prêmio Shogakukan divulga vencedores; demografias voltadas ao público feminino perdem espaço

Desde o fim das categorias, a premiação tem privilegiado obras shonen e seinen.

15 janeiro 2026
Imagem de “Cosmos”, um dos mangás vencedores do Prêmio Shogakukan.

O Shogakukan Manga Awards anunciou, na quarta-feira (14), os vencedores de sua 71ª edição. Os cinco escolhidos foram: “Cosmos”, de Ryūhei Tamura; “Dandadan”, de Yukinobu Tatsu; “Dekin no Mogura: The Earthbound Mole”, de Natsumi Eguchi; “Hirayasumi”, de Keigo Shinzō; e “Unmei no Makimodo Shi”, de Fūta Kimura.

Entre os vencedores, apenas dois mangás são publicados atualmente no Brasil, ambos pela Panini: o popular shonen “Dandadan” e o seinen slice-of-life “Hirayasumi: uma pausa relaxante em uma casa térrea”, de Keigo Shinzō. Dentre os inéditos, “Cosmos”, lançado pela Shogakukan desde 2023, é escrito e ilustrado por Ryūhei Tamura, autor do mangá “Beelzebub”, também publicado pela Panini.

Capas dos primeiros volumes brasileiros de “Dandadan” e “Hirayasumi”.

Cada um dos autores premiados recebeu uma estatueta e o valor de 1 milhão de ienes, cerca de R$ 35 mil reais. Além dos quadrinhos ganhadores, a mangaká Moto Hagio, de “O 11º Tripulante”, recebeu o Prêmio Especial do Júri em reconhecimento ao seu legado e contribuição para o desenvolvimento dos mangás.

Como vem ocorrendo desde a 69ª edição do prêmio, anunciada em 2024 e referente ao ano de 2023, a premiação não dividiu os vencedores por categorias, encerrando as antigas classificações de Melhor Mangá Infantil, Melhor Mangá Shonen, Melhor Mangá Shoujo e Melhor Mangá Geral.

Na edição deste ano, chama atenção o fato de mais uma vez nenhum dos títulos premiados pertencer à demografia shoujo. O dado reforça um padrão observado desde a mudança no formato: dos 13 títulos contemplados nesse período, nenhum é shoujo e apenas um é classificado como josei, ambas demografias tradicionalmente voltadas ao público feminino, enquanto os demais vencedores se concentram majoritariamente entre mangás shonen e seinen.

Capas das primeiras edições japonesas dos outros três títulos vencedores.

Fundado em 1955, o Prêmio Shogakukan é entregue anualmente a partir da decisão de um júri técnico, sem participação popular. O corpo de jurados é formado por editores veteranos da Shogakukan, mangakás convidados e críticos especializados, bem como profissionais do mercado editorial de quadrinhos japoneses. São elegíveis para a disputa quaisquer títulos que tenham recebido pelo menos um volume dentro do último ano vigente desde a entrega da premiação anterior.

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