De Brian Michael Bendis e Michael Avon Oeming
468 páginas
Mythos | 2026
Tradução: Érico Assis e Fernando Lopes
Powers mistura o clássico “procedural policial” com o universo dos super-heróis. Criada por Brian Michael Bendis e Michael Avon Oeming no início dos anos 2000, a HQ acompanha investigações conduzidas por dois policiais em um mundo onde pessoas com poderes fazem parte da rotina.
Neste primeiro volume (de um total de sete) da coleção da Mythos, entendemos como funciona a estrutura da obra. Temos histórias fechadas, mas conectadas por uma grande narrativa que, no seu decorrer, expande e desenvolve seu universo. No primeiro arco, “Quem Matou a Moça-Retrô?”, o mundo está em choque após o assassinato de uma heroína. Christian Walker e sua nova parceira, Deena Pilgrim, são designados para investigar o caso. A trama começa de forma um pouco engessada e exige certa paciência, mas ganha ritmo conforme avança e revela um cenário cada vez mais intrigante. Ainda assim, o desfecho soa agridoce por recorrer a uma solução deus ex machina.
Antes do segundo arco, há uma história curta que traz o roteirista Warren Ellis como personagem, pesquisando a rotina dos policiais para escrever seu próximo quadrinho. Na sequência, “O Jogo”, arco que encerra o volume, apresenta uma boa trama centrada em assassinatos de jovens que se fantasiam de heróis. Mais direta e envolvente, é também a melhor história do volume.
No geral, este primeiro omnibus funciona como uma introdução sólida ao universo de Powers. Bendis aposta nas cenas de interrogatório, abarrotadas de diálogos, às vezes até repetitivos, que ajudam a construir esse clima de drama policial. Já a arte cartunesca e estilizada de Oeming, incorpora um leve tom de animação e acompanha o próprio amadurecimento da HQ.
Publicado no Brasil pela Mythos, Powers se destaca pela construção de mundo. Longe de ser uma HQ focada em super-heróis, a obra aposta na combinação eficiente entre noir e drama policial.






