A Poc Con, feira de quadrinhos e artes gráficas produzidos por artistas LGBTQIAPN+, anunciou seu artista homenageado da edição 2025: o paraibano Henrique Magalhães. Pioneiro dos quadrinhos nacionais, o quadrinista atua desde a década de 1970, quando criou Maria, uma personagem de caráter político e contestador.
Magalhães atua profissionalmente em três frentes de trabalho na área dos quadrinhos: produz, edita e atua no ensino/pesquisa. Professor da Universidade Federal da Paraíba, doutor em Sociologia pela Universidade Paris VII, ele é também o fundador da editora Marca de Fantasia, dedicada à publicação de livros teóricos e quadrinhos brasileiros.
Maria, a mais longeva de seus personagens, surgiu em um momento político de muita tensão no país. “Naquele momento de exceção política que era a ditadura, ela fazia parte de uma cultura de resistência, que era o universo do humor que circulava n’O Pasquim. Maria se inspira muito nos Fradins, nos personagens de Henfil, mas também em Mafalda, de Quino, uma menina questionadora e revoltada com o mundo, mas que tinha muito bom humor”, conta Henrique Magalhães em entrevista aos pesquisadores Regina Behar e Matheus Andrade.
Com o fim do regime militar, a personagem iniciou uma nova fase, que incluía temas como a diversidade sexual. “Quando eu fiz a revista, eu trabalhava o amor, não era nem a questão da sexualidade, mas era da afetividade pelo mesmo gênero. O sexo poderia vir como uma consequência, mas o enfoque não era a homossexualidade em termos de relação sexual, mas a homossexualidade em termos de relacionamento afetivo“, explica o quadrinista.
Durante a Poc Con, que acontece entre os dias 20 e 21 de junho, em São Paulo, Henrique Magalhães participará de um bate-papo sobre sua carreira e realizará sessão de autógrafos.