De Paul Kirchner
120 páginas
Risco | 2025
Tradução: Érico Assis
O reencontro com Ônibus traz uma sensação familiar. Paul Kirchner retoma as viagens surrealistas de ônibus sem perder o encanto já visto nas tiras publicadas nos anos 1980. Apesar de produzido a partir de 2012, o material do segundo volume continua com o ar retrô que o protagonista, um ônibus GM New Look, pode proporcionar. Sim, no quadrinho que leva seu nome, o veículo é a grande estrela.
Assim como no primeiro volume, é preciso abraçar o absurdo para ter uma experiência completa lendo Ônibus. Situações inexplicáveis e anedóticas tomam conta das tiras e rendem ótimos momentos. Como em todo compilado, há aquelas que não se destacam, mas o saldo é em geral muito positivo e bem-humorado.
Parte da diversão está na sensação de completo caos provocada por algumas das tiras, ou na maneira como filmes e outras obras de arte são referenciadas. Há ainda espaço para a metalinguagem, além de algumas histórias que deixariam os busólogos rindo de orelha a orelha.
Com pouquíssimo texto, a HQ dá espaço para que a narrativa gráfica brilhe. O leitor deve estar atento aos detalhes, ao cenário e à sequencialidade dos quadros para que tudo funcione. Os cenários urbanos continuam a brilhar em uma arte cheia de hachuras e, agora, com personagens com visual atualizado e que têm o hábito mais comum dos passageiros hoje: usar o celular.
Publicado pela Risco, Ônibus 2 não carrega mais o fator novidade, mas prolonga a ótima experiência do primeiro volume. Além de incorporar elementos da modernidade, Kirchner brinca com a mitologia que ele próprio criou, em um universo em que as portas de um ônibus são o caminho para o inesperado.








