De Arnaldo Branco e André Freitas (Adaptando livro de Caio Fernando Abreu)
80 páginas
Quadrinhos na Cia. | 2026
Transformar “Onde Andará Dulce Veiga?” em quadrinho era uma tarefa complexa. O romance de Caio Fernando Abreu é construído por sobreposições de histórias, divagações e referências que ajudam a criar uma atmosfera muito própria. Ao tentar organizar esse universo em um ritmo mais ágil, a HQ acaba deixando escapar nuances que dão força à obra.
Adaptada por Arnaldo Branco e André Freitas, a história mistura investigação e drama ao acompanhar um jornalista encarregado de escrever sobre uma banda que está despontando. A pauta toma outro rumo quando ele descobre que a vocalista do grupo é filha de Dulce Veiga, uma cantora de sucesso que desapareceu há vários anos. A partir daí, o jornalista recebe do dono do jornal a tarefa de descobrir onde está a artista.
Com pouco mais de 60 páginas de história, a HQ, contada por um narrador-personagem, sofre justamente na condensação do conteúdo para a nova linguagem. O leitor entende que há um conflito existencial do protagonista, uma tentativa de se encontrar, enquanto também procura por Dulce Veiga. Porém, no decorrer da leitura, fica a impressão de que algo se perdeu no processo de adaptação. É possível sentir que a narrativa está mais fragmentada e acelerada.
Na parte visual, os desenhos de André Freitas funcionam bem ao retratar o clima melancólico e decadente do enredo. A narrativa, no entanto, fica aquém. Os enquadramentos e a composição são pouco fluidos, deixando as cenas com uma aparência mais dura.
Publicado pela Quadrinhos na Cia., “Onde Andará Dulce Veiga?” tem dificuldades ao traduzir para os quadrinhos as camadas e reflexões da obra original. No fim, a adaptação apresenta a essência da história, mas ainda carrega a sensação de uma narrativa incompleta.






