De Cesar Gananian e Chico França
312 páginas
Quadrinhos na Cia. | 2023
Uma homenagem à sétima arte, desde suas origens, O Filme Perdido não tem medo de escancarar esse propósito. A obra de Cesar Gananian e Chico França transpõe para os quadrinhos diversos estilos, movimentos e escolas cinematográficas, enquanto imagina o que poderia ter acontecido com Louis Le Prince. O francês desapareceu a bordo de um trem, antes de conseguir patentear seu sistema de captação de imagens em movimento, considerado um precursor direto do cinematógrafo.
A misteriosa história desse precursor do cinema é usada como base para uma trama que imagina um filme colaborativo, que teria sido rodado ao longo de um século por cineastas de vários lugares e períodos. A colcha de retalhos criada pela dupla funciona como um mergulho histórico e artístico. Uma ideia pretensiosa, mas muito bem executada. A variação de estilos na arte de Chico França e as saídas encontradas para transpor as referências do cinema para a linguagem de quadrinhos são o ponto alto da obra.
No início da leitura, somos imediatamente fisgados pela história de Louis Le Prince, nessa mistura entre fato e ficção. À medida que o enredo se desenvolve, as paranoias do protagonista ganham cada vez mais ares de delírio e o quadrinho perde um pouco o fôlego, para que logo a proposta seja retomada com o conceito do filme perdido do qual a HQ trata.
As técnicas usadas na arte são tão variadas que vão do lápis ao stop motion. Junto do estilo, mudam as fontes dos balões, os enquadramentos, entre outros detalhes. É realmente impressionante a quantidade de referências incorporadas, um prato cheio para os apaixonados pela história do cinema.
Lançado pela Quadrinhos na Cia., O Filme Perdido funciona muito bem dentro de sua proposta. O uso da linguagem dos quadrinhos para reinterpretar a do cinema se revela seu maior charme, dando forma a uma narrativa que equilibra o histórico e o imaginado.









