De Fred Fordham (Adaptando livro de Ursula K. Le Guin)
288 páginas
SumaHQ | 2026
Tradução: Angélica Andrade
Nem todo clássico da literatura ganha força ao ser adaptado para os quadrinhos. É o caso de O Feiticeiro de Terramar, versão de Fred Fordham para a obra de Ursula K. Le Guin. É claro que a proposta não é substituir o romance original, mas uma boa adaptação também deveria ser capaz de despertar a curiosidade pelo material que a inspirou. Aqui, infelizmente, isso não acontece.
A jornada de amadurecimento do jovem feiticeiro Ged perde parte de seu impacto por decisões criativas que enfraquecem a experiência de leitura. Conhecido no Brasil por adaptações como Admirável Mundo Novo e O Sol é Para Todos, Fordham conduz o leitor pela trajetória de transformação do protagonista, acompanhando sua descoberta da magia, as inquietações da juventude, a busca por conhecimento e as consequências de sua ambição.
Estamos falando de uma história clássica de formação que, mesmo com momentos contemplativos e reflexões filosóficas, carrega elementos típicos da literatura infantojuvenil.
Visualmente, Fordham aposta em uma arte aquarelada que funciona muito bem quando pode ser vista. Os grandes painéis contemplativos, por exemplo, são alguns dos melhores momentos. O problema é que, em diversas cenas, a paleta é escura e dificulta a compreensão. Além disso, os rostos de vários personagens são parecidos, dificultando a identificação de quem é quem.
Outro ponto que pesa é o ritmo. Sentimos que muitos acontecimentos, principalmente, do meio do livro para o fim, são acelerados demais.
Publicado pela SumaHQ, a versão em quadrinhos de O Feiticeiro de Terramar é uma adaptação competente em resumir a história, mas que raramente emociona ou desperta a vontade de conhecer o romance original.






