De Georges Bess e Pia Bess (adaptando livro de Victor Hugo)
208 páginas
RISCØ | 2026
Tradução: Renata Silveira
Depois de sermos cativados pelas adaptações de “Drácula” e “Frankenstein”, chegamos a “O Corcunda de Notre-Dame”, outra obra clássica adaptada por Georges Bess e Pia Bess. Diferentemente das anteriores, não temos tanta afinidade com o romance de Victor Hugo. E, felizmente, isso está longe de ser um problema.
Ao contrário do que o título indica, a trama gira em torno da bela cigana Esmeralda. A partir do encanto que ela provoca, acompanhamos o corcunda Quasímodo, o padre Dom Frollo, o capitão Phoebus e o poeta Gringoire, cada um envolvido com a moça de uma maneira diferente.
Em uma sociedade decadente, marcada pelo preconceito e pelo ódio, Esmeralda se torna o centro de obsessões e intrigas que vão se cruzando ao longo da narrativa. É nesse contexto que os autores constroem uma Paris medieval sombria e opressora, distante da imagem romantizada.
Bess e Pia apresentam o romance de Victor Hugo de forma acessível e com bom ritmo, sem abrir mão da estrutura construída pelo autor. A narrativa é dividida em vários capítulos, quase como atos de uma peça, conduzindo o leitor por diferentes perspectivas.
Como era de se esperar, visualmente, o álbum é espetacular. O preto e branco de Georges Bess reforça o tom trágico da obra e sua atmosfera obscura. Quasímodo é desenhado como uma figura realmente escatológica, bem diferente do imaginário popular, influenciado pela animação da Disney. Além disso, os desenhos de Bess transformam Paris em uma personagem central na trama.
Publicado pela Risco, “O Corcunda de Notre-Dame” é uma adaptação que consegue transmitir todo o peso dramático da história. Uma leitura envolvente e visualmente marcante, em que, a todo momento, sentimos que o desfecho trágico é inevitável.








