De Djeison Hoerlle, Dieferson Trindade e Juliano Dalben
112 páginas
Hipotética | 2025
O Colecionador nasce com uma proposta quase irônica: uma HQ que discute o colecionismo de… quadrinhos. A obra de Djeison Hoerlle, Dieferson Trindade e Juliano Dalben se debruça sobre algo com o que seu leitor provavelmente se identifica: o que significa, afinal, ser colecionador? Mais do que acumular milhares de gibis, qual é a função de ter essas obras nas nossas vidas?
Essa reflexão é conduzida a partir das experiências de Érico, um rapaz de 27 anos que atrela suas memórias mais queridas aos quadrinhos, até que suas estantes abarrotadas começam a não fazer mais sentido. Ao acompanhar os passos do protagonista, que também é dono de um sebo e convive com figuras que remetem a arquétipos dos leitores de HQs, o roteiro de Hoerlle faz quase uma sátira do cenário brasileiro, marcado por gibitubers, bookplates e links de afiliados.
O quadrinho pincela essas referências sem se preocupar em aprofundá-las, afinal, pressupõe que seu leitor as reconheça de imediato. Já a reflexão sobre colecionismo é encarada com um ar mais filosófico, que passa pelo materialismo e por questionamentos existencialistas. Ao mesmo tempo que notamos que a premissa é bem executada, é possível sentir que a trajetória do protagonista, e todos os acontecimentos, são elaborados apenas para servir à questão principal. Isso faz com que a obra se aproxime mais de um ensaio sobre o tema do que de uma narrativa que, de fato, aproveita os eventos da trama para provocar uma reflexão.
A arte de Dieferson Trindade, somada às cores de Juliano Dalbem, usa a temática para encaixar referências visuais, e ainda dá destaque ao cenário urbano de Porto Alegre, que se torna quase uma coadjuvante da HQ.
Publicada pela Hipotética em parceria com o selo Dom Mordaz, O Colecionador atinge em cheio qualquer um que tenha um carinho especial pela imagem de quadrinhos enfileirados em uma estante. Mesmo com uma história que existe em função do tema, a discussão proposta garante uma reflexão potente, em especial em um cenário em que comprar (e acumular) às vezes parece mais urgente do que ler.








