De Tamaki Nakamura (adaptando livro de Paulo Coelho)
296 páginas
Editora JBC | 2026
Tradução: Caio Pacheco
O Alquimista, de Paulo Coelho, é provavelmente um dos livros brasileiros mais populares ao redor do mundo. A jornada do jovem pastor de ovelhas Santiago é a base para uma trama que flerta com a autoajuda, em uma linha esotérica, elogiada e criticada na mesma medida. Recém-lançada pela JBC, a versão em mangá de Tamaki Nakamura dá ao best-seller uma roupagem mais carismática, quase juvenil, que casa muito bem com sua proposta.
Santiago parte da Espanha em busca de um tesouro. Uma visão que está presente em seus sonhos, sua lenda pessoal. Assim como no livro, a HQ percorre o caminho do jovem rumo às pirâmides, repleto de encontros e metáforas. Para imprimir dinamismo à narrativa, que muitas vezes tem ares de aventura, Nakamura emprega recursos característicos do mangá, das linhas de movimento aos enquadramentos.
A adaptação ganha força justamente por sua execução, que abraça o tom místico e contemplativo do original, mas também tenta modernizá-lo. Ainda assim, a história por trás dela continua a mesma, com clichês e tropos desgastados, motivo pelo qual O Alquimista divide opiniões.
A arte limpa, com enfoque nas expressões e na variedade étnica, é bastante funcional. Há muitos momentos em que os diálogos rendem apenas closes nos rostos dos personagens. No entanto, é notável que a autora tenta variar os layouts e trabalhar com as viradas de página e splash pages.
O Alquimista em mangá segue sendo… O Alquimista. É uma adaptação que sabe explorar os recursos da linguagem a seu favor, mas não poderia alterar o centro da identidade do livro de Paulo Coelho, com seus ensinamentos didáticos.








