De Moto Hagio
288 páginas
Editora JBC | 2026
Tradução: Cristhielle Ogura
Inexplicavelmente, Moto Hagio, um dos nomes mais importantes do mangá shoujo, demorou décadas para estrear no Brasil. O 11º Tripulante, HQ dos anos 1970 que a apresenta aos leitores brasileiros, já deixa claro como a mangaká estava à frente de seu tempo, seja pelos temas que insere em meio a uma aventura com intrigas políticas e pitadas de romance, seja pela arte, que foge bastante do padrão da época.
Compilando duas histórias em um único volume, o livro abre com a HQ que dá nome à obra. Logo de cara, somos apresentados a um universo com mitologia própria, cheio de planetas e espécies, assim como Star Wars e Valerian, por exemplo. Nesse cenário, jovens participam de um exame para ingressar na Universidade Espacial.
A etapa final da prova consiste em dez participantes sobreviverem por dias confinados em uma nave à deriva. O problema surge quando eles percebem que há uma pessoa a mais a bordo. A partir daí, a história assume um clima de suspense, com o grupo tentando cooperar para sobreviver, enquanto, assim como os personagens, o leitor nunca tem certeza do que faz parte do teste e do que pode ser uma armadilha desse intruso.
Já o segundo quadrinho, ambientado após os eventos do primeiro e com os mesmos personagens, puxa mais para o lado político, focando na disputa de poder. Ainda que desenvolva bem essas ideias, o resultado é menos envolvente que o da história principal.
Os enredos de Moto Hagio são divertidos, mas o grande destaque está em como ela explora questões como identidade, gênero e o papel da mulher na sociedade por meio desse contexto de ficção científica. São comentários que surgem de forma fluida e natural.
A arte também chama atenção. É um traço elegante, moderno, com bastante liberdade na composição e no design de personagens.
Lançado pela Editora JBC, O 11º Tripulante é aquele tipo de leitura que te pega fácil e te mantém curioso até o fim. Uma estreia tardia que chega provando o tamanho da autora.






