Nota 4.0

Nosferatu

14 abril 2026

De Romeu Martins e Sandro Zambi
100 páginas
Kaiju Editora | 2025

Em uma releitura que presta tributo ao clássico filme de 1922, Nosferatu leva aos quadrinhos uma história muitas vezes já contada. A HQ de Romeu Martins e Sandro Zambi não tem medo de se aproximar ao máximo do longa, tanto na ambientação quanto no enredo, mas também incorpora alguns novos elementos para dar autenticidade a essa versão.

Na trama, o corretor imobiliário Thomas Hutter se vê em um sombrio castelo na Transilvânia, após viajar à região para se encontrar com o recluso Conde Orlok, que está interessado em uma propriedade na Alemanha. De pele clara, olhos saltados e, claro, dentes afiados, o conde não faz muito esforço para esconder sua verdadeira identidade. Em meio a tudo isso, Ellen, a esposa de Hutter, aguarda seu retorno, atordoada por episódios de sonambulismo. Os destinos de todos esses personagens serão selados pela assombrosa chegada do vampiro à cidade de Wisborg.

Para os já familiarizados com a história de Nosferatu, a adaptação é certeira no tom. É possível observar muitos dos elementos originais transportados para a linguagem de quadrinhos. Já quem nunca assistiu nem ao filme de 1922, ou às versões de 1979 e a mais recente de 2025, poderá compreender na HQ os motivos que tornaram essa uma das histórias de terror mais icônicas de todos os tempos, principalmente em termos estéticos.

Nosferatu é um quadrinho curto e, por isso, se apressa em algumas cenas, principalmente no final da história. Embora o trecho final também seja assim no longa, a adaptação acaba deixando no leitor o desejo de mais desenvolvimento, sobretudo de Ellen. Por outro lado, o quadrinho é capaz de capturar a essência do Conde Orlok, com ótimas cenas que remetem ao expressionismo alemão, especialmente no uso das sombras e na composição visual das aparições do vampiro. Aliás, há muito cuidado com a ambientação e a caracterização do período em que a obra se passa.

Publicado pela Kaiju Editora, Nosferatu celebra o mito do vampiro com uma versão que não busca ressignificar o original, mas evidenciar o que faz dessa história resistir ao tempo, por meio daquilo que a linguagem de quadrinhos tem a oferecer.

Carrinho atualizado