Nota 4.5

Minha Vida em 24 Quadros por Segundo

7 outubro 2026

De Rintarô
256 páginas
Comix Zone | 2026
Tradução: Flávia Yacubian

Pensado inicialmente como uma animação biográfica, Minha Vida em 24 Quadros por Segundo acabou virando um quadrinho por falta de recursos financeiros. E ainda bem que essa história tenha encontrado outra forma de ser contada. Com mais de 80 anos, Rintarô faz sua estreia nos quadrinhos depois de tudo o que construiu na animação japonesa.

A frase na quarta capa pode até soar como marketing, mas, não se engane, não é. A trajetória do diretor se confunde com boa parte da história da animação japonesa. Ler este quadrinho é conhecer não apenas a vida de alguém que ajudou a moldar essa linguagem, mas também acompanhar, a origem e as transformações de uma indústria.

Minha Vida em 24 Quadros por Segundo passa boa parte da história concentrada na infância e na juventude de Rintarô, dando destaque principalmente à relação com o pai, de quem herdou a paixão pelo cinema. Pouco de sua vida privada aparece além disso, já que o foco está menos no homem por trás do artista.

À medida que a trama avança, vamos descobrindo junto de Rintarô o mercado de animação, enquanto ele se dedica cada vez mais ao trabalho nos estúdios. Pelo caminho, sua trajetória também se cruza com a de nomes importantes, como Osamu Tezuka e Katsuhiro Otomo, e também revela um lado menos glamouroso dessa indústria, marcado por condições quase desumanas de trabalho.

Já nos desenhos, o traço é simples, sem tantos detalhes nos cenários, mas com personagens extremamente expressivos. A composição das páginas muitas vezes se assemelha a um storyboard, é como se estivéssemos acompanhando o desenvolvimento de uma animação.

Lançado pela Comix Zone, Minha Vida em 24 Quadros por Segundo tem algo de melancólico e, ao mesmo tempo, cativante. É uma história marcada pela paixão pelo cinema e pela vontade de fazer disso a própria vida.

Carrinho atualizado