22 setembro 2022

Lucille

Por Fora do Plástico

De Ludovic Debeurme
544 páginas
Leya | 2011
Tradução: Maria Clara Carneiro e Valerie Lengonne

Lucille é uma HQ que sempre nos envolveu de alguma maneira. A capa amarela da edição brasileira, publicada pelo selo Barba Negra, em 2011, convida o leitor a saber o que está nas páginas daquele “pequeno” calhamaço. Porém, a leitura nos trouxe sentimentos diversos. O francês Ludovic Debeurme nos apresenta a dois adolescentes, Lucille e Arthur. Cada um à sua maneira, os dois se consideram descolados da realidade. Lucille tem anorexia e depressão, e Arthur precisa lidar com uma relação complexa com o pai alcoólatra. O início da história é tenso, com uma trama bastante focada nos dilemas pessoais de cada personagem.

Embora Lucille dê nome ao livro, conhecemos mais sobre Arthur, aqui, no fim das contas. No ponto em que os dois personagens se encontram, a trama, que é repleta de (boas) metáforas, ganha um tom mais adolescente. Decididos a fugir daquele mundo ao qual não se sentem pertencentes, os dois partem para a Itália. Uma decisão repentina e que parece não ser muito coerente com as condições físicas de Lucille.

Embora seja um quadrinho sensível, existe um desequilíbrio entre alguns temas que a história perpassa. O envolvimento amoroso entre os dois e questões como o início da vida sexual e consentimento são explorados de forma simplista pelo autor, o que nos incomodou. Na direção oposta, Ludovic faz um trabalho bastante interessante na arte, com quadros limpos e uma fluidez no traço que é especialmente poética.

Ao fim da obra, descobrimos que Lucille é, na verdade, uma série (pelo que vimos, em nenhum local a edição menciona isso, até o final). Embora o desfecho fique um pouco aberto, poderíamos acreditar até que a HQ se encerra assim. De uma forma poética, mas um tanto controversa, como a própria trama.

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