Nota 3.5

Little Bird: A Batalha por Alento

15 julho 2026

De Darcy Van Poelgeest, Ian Bertram e Matt Hollingsworth
192 páginas
Comix Zone | 2026
Tradução: Érico Assis

Um épico sangrento e incrivelmente desenhado, Little Bird: A Batalha por Alento não perde tempo. Darcy Van Poelgeest, Ian Bertram e Matt Hollingsworth apresentam uma história frenética que não economiza sangue e vísceras, ao acompanhar uma menina guerreira em sua tentativa de resistir a um regime teocrático.

Em uma história que bebe da fonte de muitas outras distopias, vemos um Canadá dominado por uma versão fundamentalista católica dos Estados Unidos. É nesse cenário que Pássaro Pequeno vê seu mundo colapsar, com sua vila destruída e sua mãe capturada. Cabe à garota encontrar meios para enfrentar essa ameaça que é muito mais familiar que imagina.

Inicialmente, Little Bird soa como uma referência sagaz à história dos povos indígenas do Canadá e ao processo de dominação e aculturação promovido pela Igreja Católica. Porém, o roteiro deixa muitas lacunas e afeta o desenvolvimento dos personagens, que muitas vezes parecem apenas vetores para que a trama avance. O ritmo acelerado também não colabora e torna certos acontecimentos até confusos para o leitor, ainda que parte disso se resolva em uma segunda leitura.

Já a arte de Ian Bertram é um esplendor. Apesar de não esconder as referências a Moebius, o quadrinista consegue criar um visual próprio, que é sublime nas cenas de ação e na caracterização desse universo peculiar.

O gore é um dos elementos mais marcantes da obra. Há muitas páginas em que o sangue jorra, mas nada soa pesado, é como se o desenhista tivesse encontrado beleza nas formas da própria violência, que tem um significado muito próprio para essa história. As cores de Hollingsworth dão um ar ainda mais fresco ao visual, que é, sem dúvidas, o ponto alto de Little Bird.

Publicado pela Comix Zone, Little Bird é daqueles quadrinhos que têm seu charme e seus destaques, mas parecem não alcançar, em nós, tudo aquilo a que se propunham. Tudo acontece tão rápido, ao longo de toda a trama, que não sobra espaço para desenvolver personagens, apresentar as bases do universo ou mesmo fazer com que seus conflitos sejam convincentes. Um pouquinho de respiro faria maravilhas em uma HQ com tanto potencial.

Carrinho atualizado