Inteligência artificial será usada para simular voz de Hergé, criador de Tintim

Museu Hergé irá desenvolver IA até o centenário de Tintim, em 2029.

18 março 2026
Por Fora do Plástico
Foto: ARTE France | Moulinsart SA

Com o centenário de Tintim se aproximando, em 2029, o Museu Hergé trabalha no desenvolvimento de uma inteligência artificial capaz de simular a voz do quadrinista belga para guiar visitantes no espaço, em Bruxelas. A iniciativa, ainda em estágio inicial, foi revelada ao canal de notícias francês BFM TV.

“Tudo começou em dezembro de 2025 no Museu Hergé, onde apresentamos um conceito de ‘agente de IA’. Há alguns meses estamos preparando uma forma de tornar as visitas ao museu mais interativas graças à inteligência artificial”, afirma ao jornal Yves Février, chefe de inovação da TintinImaginatio SA, detentora e gestora dos direitos de Hergé. O projeto é reproduzir, com o som da voz do quadrinista, frases que Hergé de fato disse ou escreveu em vida, para responder perguntas dos visitantes.

Yves Février explica que a IA será treinada com um corpus delimitado de entrevistas, declarações e obras do artista belga. “Ainda não está finalizado, mas não seremos capazes de fazer Hergé falar sobre coisas que ele não disse”, detalha. A TintinImaginatio SA ainda está avaliando os recursos disponíveis e trabalha com o prazo do centenário para que o projeto seja lançado.

Fachada do Museu Hergé | Foto: Danny Gys

O aceno da detentora dos direitos à inteligência artificial vai além. A longo prazo, há planos de usar IA no desenvolvimento das versões digitais dos álbuns de Tintim: “Há ferramentas que nos permitem melhorar a qualidade, ao mesmo tempo em que aumentamos sensivelmente a automação de certos processos. Poderíamos também ir além das imagens por esse caminho”, conta.

Como o próprio BFM TV sinaliza, a notícia pode soar surpreendente para os leitores, visto que a TintinImaginatio SA é especialmente meticulosa na proteção da obra de Hergé. Desde sua morte, em 1983, nenhuma nova aventura de Tintim foi publicada e são notórios os processos movidos contra artistas pelo uso não autorizado do personagem. Apesar do uso de IA na empresa, Février afirma que a postura vigilante não mudará. “Se houver excessos no uso da obra, seja com ou sem IA, haverá medidas legais”, diz.

Foto: Reprodução Editorial Juventud
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