Instituto Moreira Salles recebe exposição de zines a partir de sábado, em São Paulo

Projeto reúne mais de 300 zines fotográficos e ficará em cartaz até novembro.

21 agosto 2026
Divulgação: IMS Paulista

Começa neste fim de semana na Biblioteca de Fotografia do Instituto Moreira Salles da Avenida Paulista (IMS Paulista) a exposição “ZineZona”, que reúne mais de 300 zines fotográficos. A abertura acontece neste sábado (22) às 10h, e contará com bate-papo com os curadores Ângelo Manjabosco, Miguel Del Castillo e Rony Maltz.

As obras apresentadas foram feitas por artistas brasileiros ou produzidas no Brasil, fazendo parte do acervo do IMS ou tendo sido adquiridas especialmente para a mostra. Um destaque da exposição é que o público não só poderá ver os zines, mas também interagir com o material original.

Para o curador Rony Maltz, artista visual e editor da revista “ZUM”, em texto no site da publicação que edita, os zines não têm um formato fixo e seguem uma estética amadora. “zines autopublicados costumam circular à margem do mercado formal; sua influência nem sempre é captada pelo radar das instituições de arte e da crítica especializada. Editar esses pequenos livretos, no entanto, é uma forma ágil e barata de articular uma ideia”, detalha Maltz.

As publicações em formato de zine, historicamente, estão associadas à cultura punk e aos movimentos sociais negro e LGBTQIAPN+. Com o passar do tempo, acabou sendo apropriado por diversos artistas visuais e se consolidou como uma forma própria de expressão e circulação de arte e ideias, associados aos quadrinhos.

Em nota, os organizadores da exposição explicam que ela foi planejada para ser um percurso livre de exploração. As obras expostas abordam temas como arquivos familiares, fotografia de rua, gênero, raça, território, experimentação gráfica e diários visuais. Ao trazer esta pluralidade de temas de forma livre, a “ZineZona” busca destacar os desafios de colecionar, catalogar, preservar e dar acesso a uma produção diversa e em constante movimento.

Miguel Del Castillo, coordenador da Biblioteca de Fotografia do IMS, destaca que os zines são ferramentas importantes de luta contra a hiperdigitalização em um mundo dominado por feeds ditados por algoritmos, além de ser uma forma de publicação que registra as transformações do tempo. “Ao reunir zines fotográficos produzidos em diferentes regiões do país, o IMS contribui para documentar uma produção editorial diversa, independente e ainda pouco representada nos acervos brasileiros”, afirmou o curador.

O pesquisador do acervo de Arte Contemporânea do IMS, Ângelo Manjabosco, observa que o zine é um formato que não possui fronteira delimitada, e que é definido principalmente por um modo de produzir e distribuir. “São autores interessados em experimentar, criar com o mínimo de recursos, apontar soluções e explorar possibilidades. Fazer um zine é também colocar no mundo algo que, muitas vezes, ainda não está exatamente pronto e que aceita correr riscos que normalmente não vemos no mercado editorial consolidado”, conclui.

A exposição “ZineZona” segue na Biblioteca de Fotografia do IMS Paulista até o dia 5 de novembro. O espaço está localizado na Avenida Paulista, 2424, em São Paulo, e está aberto de terça a domingo das 10h às 20h. A entrada é gratuita.

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