
Autor de obras como “Boa Noite Punpun”, “Garota à Beira-Mar” e “Decadência”, Inio Asano causou polêmica na última semana ao fazer uma declaração favorável ao uso de inteligência artificial na produção de mangás. Em entrevista ao programa Weekly Ochiai, o artista afirmou que as restrições impostas pelas editoras japonesas são um dos motivos para a extensão do hiato de “Mujina Into the Deep”, sua obra mais recente.
Para “Mujina Into the Deep”, Asano criou toda a cidade da história em softwares de modelagem 3D, imaginando um ambiente que funcionasse como uma espécie de “mundo aberto” para o mangá. O mangaká explicou que enxerga a IA como uma ferramenta capaz de agilizar etapas do processo criativo, especialmente na construção de cenários.
Questionado sobre a possibilidade de recorrer à IA para acelerar esse trabalho com modelos 3D, o mangaká disse que as editoras não estão em uma posição em que possam dizer abertamente que permitem o uso da tecnologia. “É uma situação estranha. Você não tem permissão para usá-la justamente porque é um profissional“, completou.

“Atualmente, os mangakás não têm permissão para usar IA. Mas o uso dela melhora muito a qualidade. Então, será que não seria melhor simplesmente não desenhar o mangá agora? Talvez no ano que vem eles retirem essa proibição, então pode ser melhor começar a desenhar depois que isso acontecer. Nesse sentido, estou esperando [para retomar ‘Mujina Into the Deep’].”
As declarações repercutiram nas redes sociais e geraram críticas de parte dos leitores. Em resposta a questionamentos no X (antigo Twitter), Asano informou que seus personagens continuam sendo desenhados inteiramente à mão e que os cenários são processados “como desenhos a partir de imagens renderizadas em 3D”, método que, segundo ele, não deve mudar por enquanto.






