De Patrick Horvath
160 páginas
DarkSide Books | 2025
Tradução: Érico Assis
Na bucólica cidade de Bosque do Riacho, animais antropomórficos convivem em plena harmonia. Entre eles está Samantha, uma ursa querida pela comunidade, mas que esconde um segredo: ela é uma serial-killer em atividade há décadas. Hoje É Um Belo Dia Para Matar, de Patrick Horvath, é um thriller que mescla com naturalidade um cenário fofinho com violência gráfica, usando esse contraste como seu ponto de destaque.
Apesar de ser uma assassina, Samantha segue uma política muito clara: não matar os locais. Suas vítimas são os moradores da cidade grande. Quando uma série de mortes começa a acontecer em Bosque do Riacho, a ursa precisa descobrir quem é o outro predador em seu território, para que seu segredo não seja ameaçado. Tudo isso rende um clima de tensão crescente, que envolve o leitor no mistério.
Horvath recria a aura de cidadezinha do interior em Hoje É Um Belo Dia Para Matar ao evidenciar as relações entre os vizinhos, as amizades e a rotina pacata. O roteirista escolhe com cuidado os elementos que planta para o mistério funcionar, enquanto desenvolve a personalidade de Samantha, ao ponto que o leitor condena suas ações, evidentemente, mas ainda assim torce por ela. Apesar da boa execução, o desfecho fica aquém do restante da trama, com uma resolução que parece rápida demais.
O visual é parte essencial do charme do quadrinho, com um estilo que remete aos livros infantis, porém sem medo de chocar o leitor com cenas mais gráficas e sangrentas. O uso de tons pastéis, em contraste com sangue vermelho vibrante, amplifica o impacto que a obra busca causar nos leitores. Outro destaque são as expressões dos animais, suficientemente humanas, mas sem descaracterizar suas espécies.
Publicado pela DarkSide Books, Hoje É Um Belo Dia Para Matar é uma história fechada, mas que deu início a uma série que amplia a trajetória de Samantha. É macabro dizer que nos divertimos acompanhando uma ursa assassina? Pois foi o que aconteceu. Esse é o tipo de história curiosamente cativante, que nos faz estremecer e querer mais.








