De Jock
168 páginas
Poptopia | 2026
Tradução: Érico Assis
Estamos bastante acostumados com histórias de futuros pouco promissores marcados pela desigualdade. Gone, de Jock, parte justamente desse ponto, e começa bem. A abertura é promissora e apresenta uma narrativa de sobrevivência cheia de boas ideias. Contudo, vários elementos são pouco desenvolvidos, seja pelo número de páginas da HQ ou por escolhas equivocadas no enredo.
A trama se passa em um futuro em que os pobres sobrevivem nos destroços, nos arredores das grandes cidades, enquanto os ricos dominam esses espaços e ainda podem viajar entre planetas em naves espaciais de luxo. É nesse cenário que conhecemos Abi, uma garota que, junto dos amigos, invade essas naves pouco antes da decolagem para roubar e ajudar sua família. Porém, em uma dessas “missões”, a jovem fica presa em uma delas.
A partir daí, Abi precisa aprender a sobreviver nesse novo ambiente, onde se vê no caminho de um grupo de rebeldes que luta contra os privilegiados.
Dividida em três capítulos, a história começa de forma bastante coesa. Jock pode não estar reinventando a roda, mas entrega uma abertura promissora, colocando em jogo temas políticos e sociais. O problema surge no segundo capítulo, quando a narrativa começa a se perder, muito por não conseguir desenvolver bem suas próprias ideias. Para completar, há alguns trechos confusos a reviravolta envolvendo o vilão é bastante decepcionante.
Quanto à arte, Jock entrega um trabalho decente. O visual é sombrio, carregado de contrastes e dialoga bem com a sensação de desesperança da história. Os layouts são dinâmicos, com bom uso de planos abertos e enquadramentos quase cinematográficos. Sem dúvida, é no visual que o quadrinho mais se destaca.
Lançado pela Poptopia, Gone combina essa estética marcante de terror espacial com um enredo que acaba sendo mais desajeitado do que deveria. No fim, é uma leitura que prende pelo ritmo e pela arte, mas deixa a sensação de que poderia ter sido melhor.








