De Guillaume Singelin
192 páginas
Comix Zone | 2026
Tradução: Flávia Yacubian
Ficções científicas em que a humanidade trocou a Terra pelo espaço não são lá muito inovadoras. Mas Frontier, de Guillaume Singelin, nunca se deixa reduzir ao clichê. A HQ francesa busca um olhar humanizado como seu diferencial, em uma abordagem que destaca os personagens, diante de um mundo dominado por corporações.
Em um futuro em que os recursos são escassos e a humanidade se desconectou da Terra, Singelin apresenta três personagens que simbolizam, de formas distintas, a relação do ser humano com a natureza e com o trabalho: a arqueóloga espacial Ji-Soo, o minerador Alex e a ex-mercenária Camina. Após encontros inesperados, eles precisarão buscar meios de sobreviver em um sistema focado na exploração dos recursos e das pessoas.
Frontier apresenta um cenário hostil, mas não pende para o pessimismo. Muito pelo contrário, em vez de uma tentativa de buscar respostas para os problemas que fogem da alçada do trio de protagonistas, a HQ mostra como um pouco de gentileza e afeto podem tornar essa realidade melhor. A sobrevivência, aqui, também é afetiva.
Na arte, o destaque vai para a construção de ambientes abarrotados, cheios de detalhes, que transmitem para o leitor a sensação de urgência e claustrofobia da ocupação espacial pelos humanos. Em contraste com as naves ultrarrealistas, estão personagens em estilo chibi. Por mais curioso que esse visual fofinho possa parecer, a mescla funciona muito bem e cria uma estética única.
Publicada pela Comix Zone, Frontier é uma história sobre os limites da exploração, em todos os sentidos da palavra, assim como uma história sobre esperança. Há espaço para a conscientização, usando o futuro para abordar as mazelas do nosso tempo, mas também para a ternura. Como um lembrete de que nem tudo está perdido.








