Engolidos Pela Terra

28 agosto 2025

De Osamu Tezuka
520 páginas
DarkSide Books | 2025
Tradução: Luiz Claudio Bodanese

A maioria das publicações de Osamu Tezuka voltadas ao público adulto são o encontro entre uma trama envolvente, com personagens de moral questionável, e nuances que refletem questões sociais, culturais e políticas do período original de publicação. Em Engolidos pela Terra não é diferente. Com uma premissa interessante, até mesmo ousada, o mangá cativa o leitor de imediato, mas perde fôlego no desenvolvimento e se torna até desconexo.

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Zephyrus é uma mulher estonteante que tem como missão se vingar dos homens e seus crimes contra as mulheres. Gohonmatsu, um jovem beberrão que vive apenas para abrir a próxima garrafa, é encarregado de tentar descobrir quem é essa mulher misteriosa e sua origem. O que se segue é um mergulho em uma conspiração para abalar não apenas os homens, mas também os alicerces da civilização moderna.

Tezuka encontra bons meios para amarrar sua trama, por mais absurdas que algumas situações possam parecer. No entanto, essa que foi uma de suas primeiras histórias voltadas para adultos, publicada originalmente entre 1968 e 1969, sofre com seu formato quase episódico. Há capítulos dedicados a subtramas auto conclusivas que em nada colaboram para o plot principal e, em alguns momentos, parece que estamos lendo um mangá completamente diferente.

As críticas à sociedade de consumo, ao patriarcado e ao capitalismo são bastante evidentes. No entanto, é preciso olhar para Engolidos pela Terra com os olhos de seu tempo, afinal, a própria trama parece contraditória em vários pontos. O papel feminino inicialmente central e instigante é ofuscado pelo anedótico protagonista beberrão, no avançar do enredo.

Visualmente, Tezuka traz inovações, layouts e composições de páginas ousados e um ótimo uso do preto em alguns momentos do mangá. É válido destacar como o humor está presente também graficamente, mesmo que não seja o gênero central da obra.

Publicado pela DarkSide, Engolidos pela Terra marca mais uma adição à vasta lista de mangás de Tezuka publicados no Brasil. Está longe de ser uma de suas melhores obras, mas ainda assim o mangá traz um pouco do que o deus do mangá sabia fazer melhor, como prender a atenção de seus leitores.

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