De Marcello Quintanilha
272 páginas
Veneta | 2026
Eldorado, o mais novo trabalho de Marcello Quintanilha, retoma um período histórico e personagens que o quadrinista havia apresentado em Luzes de Niterói, para construir mais uma obra de fôlego. Um drama familiar profundamente influenciado por momentos-chave da história brasileira, a HQ amplia seu potencial de impacto a cada página.
Na trama, seguimos Hélcio, personagem inspirado no pai do autor, que sonha em ser jogador de futebol. Apesar do seu talento nato, a carreira não é aprovada pelo pai, Alício, o dono de um mercadinho em Duque de Caxias. Enquanto isso, seu irmão mais novo, Luiz Alberto, se envolve com um crime que transformará a jornada de toda a família.
Os eventos que compõem Eldorado são apresentados em uma cronologia não-linear, quase fragmentada, mas que é perfeitamente compreensível. Na verdade, esse recurso nos deixa vidrados na leitura, que é muito prazerosa. O uso de expressões da época, assim como a reprodução de páginas de jornal colabora na ambientação dos anos 1950 a 1970, afinal, esse é um quadrinho em que os acontecimentos, o momento ao redor, têm impacto direto nas trajetórias dos personagens. Algo que, aliás, é incrível de acompanhar.
O traço de Quintanilha se assemelha bastante ao de Luzes de Niterói, embora sua primeira edição tenha sido em cores no Brasil. Destaque para as cenas quase fotográficas e para as composições que muitas vezes fogem do convencional. O preto e branco, uma escolha editorial para a edição brasileira, destaca as retículas e dá confere um charme retrô que reflete a nostalgia presente no quadrinho. Ao mesmo tempo, teria sido incrível poder ler a versão colorida.
Marcello Quintanilha constrói uma história catártica, sem jamais pender para o clichê, em Eldorado. Publicada pela Veneta, a HQ confirma a habilidade do quadrinista em construir narrativas densas sem perder o leitor pelo caminho.









