[Exclusivo]

Editora Mino anuncia encerramento das atividades editoriais

Decisão tem como principal motivo abrir espaço para projetos pessoais de Janaína de Luna e Pedro Cobiaco.

20 janeiro 2026
Por Fora do Plástico

Após mais de uma década em atividade, a Editora Mino se despede do mercado de quadrinhos. O anúncio do encerramento das atividades da editora comandada por Janaína de Luna e Pedro Cobiaco foi revelado em uma live no canal do Fora do Plástico, na noite desta terça-feira (20).

Após apresentar aos leitores diversos quadrinhos brasileiros, se tornar a casa de Ed Brubaker no Brasil e vencer o Prêmio Jabuti de Livro Brasileiro Publicado no Exterior, pela coletânea “Braba”, a dupla decidiu que era o momento de focar em suas carreiras e projetos pessoais. “Tivemos a sensação de que o ciclo se fechou, de que não estávamos mais dispostos a abrir mão da nossa carreira e de propostas para manter algo que já estava nos desgastando”, explica Janaína de Luna. “Deixou de ser algo saudável“, completa.

A decisão, embora difícil, foi motivada por uma combinação de fatores. Ao longo dos últimos anos, a dupla passou a dedicar mais tempo a trabalhos pessoais, o que tornou inviável manter o ritmo de lançamentos da Mino.

“Isso acabou gerando um problema financeiro, de caixa mesmo, porque para a editora ser sustentável é preciso um ritmo mínimo de lançamentos, algo entre 12 e 15 livros por ano. Desde o fim de 2024, já vínhamos sentindo que não tínhamos mais tempo, nem disposição, para sustentar esse volume sem sacrificar nossos próprios projetos”, justifica Janaína.

Editora se tornou a casa de Ed Brubaker no Brasil, após licença exclusiva.

A redução da quantidade de publicações, com apenas três HQs lançadas em 2025 (além de um livro infantil e um livro de colorir, ambos do selo Mini Mino), comprometeu diretamente a sustentabilidade do negócio, que envolvia manter a estrutura da editora: aluguel, funcionários e custos operacionais. “A gente ficou segurando com o nosso dinheiro e com o dinheiro de um empréstimo que pegamos, avaliando o que iríamos fazer, mas vimos que não era viável assim. A gente só estava aumentando a bola de neve de um problema que não ia se resolver”, reflete.

Apesar de o encerramento das atividades ser um ponto final, Janaína de Luna não desconsidera a possibilidade de a Mino voltar às publicações. “Não quisemos vender o nome da marca, porque pode ser que daqui a cinco anos a gente volte, pode ser que daqui a dez anos a gente volte, pode ser que daqui a um ano a gente volte”, pondera a editora. “Fizemos um ciclo muito bonito com a Mino e esse ciclo está, de alguma forma, por enquanto, terminado”. O plano é ainda manter os cursos ministrados pela dupla e o projeto Narrativas Periféricas.

Com centenas de publicações desde que “L’amour: 12 oz”, de Luciano Salles, marcou o pontapé inicial da editora em 2014, a Mino celebrou desde a produção nacional a grandes nomes estrangeiros, como Jeff Lemire, Jason, Box Brown e, claro, Ed Brubaker. Na avaliação da editora, seu legado está na criação de um senso de comunidade, respeito com os leitores e na valorização do quadrinho brasileiro. “Tivemos muito cuidado com os nossos autores nacionais”, reforça Janaína.

Mino Day de 2024 | Foto: Divulgação

As obras em catálogo farão parte de uma promoção no site da editora, como uma queima de estoque. Depois, os livros de quadrinistas brasileiros voltarão para seus autores, enquanto as demais obras podem deixar de ser comercializadas. “A gente não tem como manter essa estrutura para vender os livros depois”, explica.

Mesmo sem a Mino, a dupla não se afastará dos quadrinhos. “Se tudo der certo, vamos vir muito mais fortes nesse outro lado da gente [artístico], porque é nisso que vamos dedicar nossas forças que estavam sendo sugadas e divididas pela Mino“.

Pedro Cobiaco, Janaína de Luna e o estilista Fábio Yukio, com quem desenvolveram uma parceria em 2025. | Foto: Gabriel Almeida
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