
A Ediciones de la Flor, conhecida por ter sido a casa editorial da Mafalda na Argentina por mais de 50 anos, divulgou durante a 50ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, realizada entre 23 de abril e 11 de maio, o encerramento de suas atividades. Sem um pronunciamento oficial, o anúncio foi feito por meio de um cartaz em seu estande que informa que este é o último ano de atividade da editora e a última feira da qual participa.
A informação foi confirmada pela AFP. À agência de notícias, Ana María “Kuki” Miler, a diretora da Ediciones de la Flor disse: “A notícia é verdadeira, e as razões são várias”. No cartaz, a empresa destacou as mudanças no setor editorial, na tecnologia e na economia argentina.
“Tenho uma editora de outra época. As pessoas que trabalharam comigo até o ano passado — porque comecei a reduzir gradualmente o quadro de funcionários — estavam lá há 30 ou 40 anos”, disse Miller ao jornal argentino Página 12. “O mundo dos livros mudou, e as mudanças estão acontecendo muito rapidamente. Não posso começar do zero: teria que mudar tudo, da equipe à forma como trabalhamos”, completou.

No ano passado a casa editorial foi fortemente impactada pela decisão dos herdeiros de Quino, o criador da Mafalda, de fechar um acordo com uma nova editora. Desde agosto de 2025, as tiras são lançadas pela Sudamericana, selo editorial do conglomerado Penguin Random House.
Além da obra de Quino, a Ediciones de la Flor publicou diversos outros quadrinistas, como os argentinos Miguel Rep e Roberto Fontanarrosa. Na literatura, lançou no mercado argentino autores como Ray Bradbury, Umberto Eco, Vinicius de Moraes e Clarice Lispector.
Mudança de casa, após cinco décadas
Após a morte de Quino, em 2020, os direitos autorais do quadrinista foram herdados por sua sobrinha, Julieta Colombo, que já havia trabalhado com o tio por mais de 30 anos. Quando Julieta faleceu, em 2023, cinco sobrinhos de Quino assumiram a responsabilidade legal sobre a obra. Segundo informações dos herdeiros para o jornal El País Argentina, a mudança de editora estava relacionada à carência de distribuição fora de Buenos Aires pela Ediciones de la Flor e a necessidade de ampliar o alcance das obras de Quino.
Kuki Miler, responsável pela editora, afirmou em entrevista também ao El País que tentou manter os direitos, mas não conseguiu, devido à crise editorial e à valorização do dólar. Em uma publicação no Facebook de meados do ano passado, a editora lamentou a decisão dos herdeiros.






