“Ditinha e os Tambores do Jongo”: Junião lança quadrinho sobre patrimônio cultural afro-brasileiro

Publicado em parceria com a Comunidade Jongo Dito Ribeiro, obra tem como pano de fundo a dança tradicional.

23 agosto 2026

O cartunista Antônio Junião lança na próxima semana a HQ “Ditinha e os Tambores do Jongo – Uma História Afrofuturista”. Realizada em parceria com a Comunidade Jongo Dito Ribeiro, a obra tem como pano de fundo o Jongo, dança tradicional afro-brasileira presente em diversas comunidades da região Sudeste do país. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a dança é preservada no interior paulista justamente pela Comunidade.

A história acompanha Ditinha, uma adolescente negra que descobre, com a ajuda de Tambú, o tambor ancestral, o patrimônio de sua família. A HQ afrofuturista narra a ocupação e a salvaguarda de uma antiga fazenda de café por uma comunidade negra tradicional. Desta ocupação surgiu a atual Casa de Cultura Fazenda Roseira, hoje reconhecida como quilombo urbano e Patrimônio Histórico Cultural de Matriz Africana de Campinas, no interior de São Paulo. A protagonista navega por esse território e por uma trajetória que é, ao mesmo tempo, dela e de seu povo, desafiando a narrativa padrão de sofrimento e dor.

O quadrinho tem como base a pesquisa histórica da doutora em urbanismo e mestre jongueira Alessandra Ribeiro, neta de Benedito Ribeiro, mestre que levou o Jongo para o interior de São Paulo, além de contar com a apuração da jornalista Mônica Nóbrega. O título tem apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC).

Este é o segundo livro da personagem, que fez sua estreia em “Ditinha na Terra do Sapeca-iaiá”. Publicada em 2022 por Junião, a obra também foi realizada em parceria com a Comunidade Jongo Dito Ribeiro e retornará às lojas em novembro pelo Grupo Editorial ZIT.

“Ditinha e os Tambores do Jongo – Uma História Afrofuturista” terá evento de lançamento na próxima quarta-feira (26) na Livraria Tapera Taperá às 19h, em São Paulo. Durante o evento haverá a roda de conversa “Herança, memória e futuro: quais histórias negras queremos contar para as próximas gerações?”, com a participação do autor, Antônio Junião, da pesquisadora e mestre jongueira Alessandra Ribeiro, do professor e expoente dos quadrinhos brasileiros Marcelo D’Salete, e mediação da jornalista Mônica Nóbrega.

Foto: José de Holanda.

Com mais de três décadas de carreira, Junião foi chargista dos jornais Diário do Povo e Correio Popular de Campinas, além de ter colaborado com veículos como Lance!, Folha de S.Paulo, Veja e Estadão. Recebeu o Prêmio Vladimir Herzog em 2005 e menção honrosa em 2006 na categoria Artes. Seus trabalhos também foram publicados em veículos como Ponte Jornalismo, do qual é cofundador, e El País Brasil.

Em 2016, publicou o seu primeiro livro infantil “Meu Pai Vai Me Buscar na Escola”, pelo qual recebeu o Selo Cátedra UNESCO de Qualidade de Leitura, além de ter sido selecionado em 2018 para o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD). O artista também é criador da personagem Dona Isaura, inspirada nas mulheres de sua família.

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