De Charles Soule, Steve McNiven e Dean White
128 páginas
Panini | 2026
Tradução: Paulo França
Demolidor: Um Dia Frio no Inferno se mantém fiel à sua proposta: ser uma história contida protagonizada por uma versão mais velha de Matt Murdock. Charles Soule, Steve McNiven e Dean White conduzem uma história que fisga a atenção do leitor pela força de seu protagonista e do universo ao seu redor.
Em um futuro marcado pela destruição e pela guerra, Matt Murdock já não usa mais o uniforme do Demolidor. Sem poderes e com seus cerca de sessenta anos, seu ato de heroísmo se resume a conduzir uma Casa da Sopa na Cozinha do Inferno, até que um novo acidente muda tudo. Como efeito de uma explosão, ele vê seus poderes se reacenderem milagrosamente, uma oportunidade divina de voltar a vestir seu traje.
O tom do quadrinho é sempre de homenagem ao personagem, seu cânone e a Frank Miller, evidentemente referenciado na arte. Além do próprio Demolidor, outros personagens, entre a galeria de heróis e vilões, fazem suas participações especiais. Para o leitor, é interessante ver nomes marcantes da galeria da Marvel representados nesse futuro e nada parece gratuito, Soule e McNiven encaixam todas as aparições conforme o fluxo do roteiro.
Por ser uma HQ curta, originalmente publicada como minissérie, não há muito espaço para desenvolvimento do contexto em que a história se passa ou mesmo da nova personagem apresentada, a jovem Tyra. Parte disso se resolve com a narração, uma vez que acompanhamos quase tudo pela perspectiva de Matt Murdock, mas ainda permanece a sensação de uma conclusão um tanto apressada.
Publicado pela Panini, Demolidor: Um Dia Frio no Inferno se destaca pelo visual, com ótimas cenas de ação e pelo tom sombrio, que serve muito bem à trama. Embora não consiga desenvolver exatamente todas as ideias que apresenta, a HQ encontra nesta versão envelhecida de Matt Murdock uma oportunidade interessante de revisitar aquilo que faz do Demolidor um herói tão querido.









