De Che Grayson, Kelsey Ramsey e Ronda Pattison
160 páginas
Taverna do Rei | 2026
Tradução: Mario Luiz C. Barroso
Dark Spaces: Boas Ações é um terror que se apresenta aos poucos. O quadrinho de Che Grayson, Kelsey Ramsey e Ronda Pattison segue a jornalista Jean McKnight até a cidade de St. Augustine, na Flórida, em um enredo cheio de aspectos interessantes, mas se perde em uma execução confusa.
Com uma mancha na carreira, a repórter tenta reconstruir sua reputação e isso inclui até mesmo aceitar escrever uma matéria nada imparcial sobre o aniversário de 450 anos da cidade. Porém, Jean irá descobrir que a cidade esconde segredos dos tempos da colonização e que até os novos moradores também são mais misteriosos do que parecem, a começar pela jovem Cheyenne Rite e sua mãe Rebecca.
O roteiro de Che Grayson busca conectar o leitor com as personagens e suas histórias, enquanto não apenas um, mas vários mistérios acontecem no plano de fundo. O tempo todo, sabemos que a veia sobrenatural da trama irá ganhar força, mas quando isso realmente acontece, a história já se encaminha para o final e há pouco espaço para desenvolvê-la. O resultado é um quadrinho que parece coerente em suas intenções, mas um tanto bagunçado no papel. Por mais que algumas pistas sejam deixadas no caminho, vários pontos do enredo não parecem fazer muito sentido.
O visual da HQ ganha força no capítulo final, mas a arte de Kelsey Ramsey nem sempre encanta. Seu trabalho se destaca nas cenas de terror, mas o traço solto pode causar estranhamento.
Publicado pela Taverna do Rei, que já havia lançado Dark Spaces: Wildfire, que deu início à linha antológica idealizada por Scott Snyder, Dark Spaces: Boas Ações fica aquém das expectativas. Mesmo com uma boa ideia de mesclar horror a temas como colonialismo e mitos ancestrais, o quadrinho perde esse potencial na tentativa de condensar muitos temas e reviravoltas em uma narrativa curta.








