
O mangaká Tetsuya Chiba, criador do clássico “Ashita no Joe”, anunciou uma nova pausa na publicação de seu mangá autobiográfico, “Hinemosu Notari Nikki” (Diário de uma Vida Tranquila, em tradução livre). A interrupção foi oficializada na edição mais recente da revista Big Comic, periódico seinen da Shogakukan, lançada no final de setembro.
Segundo o próprio autor, que completa 88 anos em janeiro, o intenso calor do verão recém-encerrado no Japão debilitou sua saúde. Diante disso, a equipe editorial responsável optou por afastá-lo temporariamente dos trabalhos, priorizando seu descanso e recuperação. Em comunicado aos leitores, Chiba manifestou o desejo de voltar a desenhar assim que possível e se desculpou por causar preocupação no público.
Publicada desde dezembro de 2015, a obra conta atualmente com sete volumes, o primeiro lançado em 2018 e o mais recente, em novembro do ano passado. Ao longo dos anos, a série já passou por outros hiatos, enquanto o estado de saúde de Chiba tem exigido cuidados constantes nos últimos anos, especialmente em razão de sua idade, segundo o Anime News Network.

Mesclando elementos de diário e ensaio, a obra acompanha a busca de Tetsuya Chiba por uma vida mais tranquila, em contraste com a energia de seus netos. Ao revisitar sua trajetória, o autor passa pela infância durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial e pelo período de exílio em Tóquio, além de relembrar os desafios do início da carreira e a perda de Osamu Tezuka.
Sem previsão de lançamento no Brasil, o mangá chegou à França em 2019, pela Vega. A editora francesa, que descreve a HQ como um “raro testemunho assinado por um mestre contador de histórias”, programou a publicação do sétimo livro da série para janeiro de 2027.
No mês passado, por sua vez, a NewPOP promoveu o lançamento do oitavo volume da versão brasileira de “Ashita no Joe”, que será concluída em 12 edições.

Sobre o autor
Dono de uma carreira prolífica iniciada em 1956, Tetsuya Chiba é uma das figuras mais prestigiadas da indústria cultural japonesa, sendo o atual presidente da Associação de Cartunistas do Japão. Além da influência incontestável de “Ashita no Joe”, escrito ao lado de Asao Takamori e considerado o símbolo de toda uma geração de jovens dos anos 1970, o consagrado autor se tornou um dos primeiros criadores de mangá a integrar a Academia de Artes do Japão, em 2022, dois anos antes de receber a conceituada Ordem da Cultura pela sua contribuição ao patrimônio artístico nacional.





