De Hugo Pratt
136 páginas
Trem Fantasma | 2024
Tradução: Marcello Fontana
Sequência de Sob o Signo de Capricórnio, o terceiro álbum de Corto Maltese, Sempre um Pouco Mais Distante, é também um compilado de histórias curtas. Ainda ambientadas na América do Sul, especialmente na Floresta Amazônica, as tramas escritas e desenhadas por Hugo Pratt aqui são aventuras agradáveis que permitem mais um reencontro com esse personagem tão encantador, que aos poucos se desenvolve diante de nós.
Como Thierry Thomas escreve no prefácio, há uma atmosfera ao redor de Corto. Mesmo o leitor que não conferiu nenhuma das obras anteriores de Pratt consegue ser fisgado, tamanha a força do personagem. Nas cinco histórias reunidas aqui, as aventuras são ligeiramente interligadas, às vezes por personagens, temáticas ou ecos poéticos, assim como pela localização geográfica e temporal.
O caminho de Corto, sempre um tanto errante, cruza indígenas encolhedores de cabeças, um soldado desertor, revolucionários em uma ilhota e um homem em busca do lendário Eldorado. O tom sobrenatural ganha espaço em algumas das histórias e os diálogos seguem sendo um ponto de destaque, além do humor sutil e irônico.
Na arte, Pratt segue brilhante, com um visual que reflete suas pesquisas e referências estéticas principalmente de alguns dos povos retratados. O visual em preto e branco é elegante, com um domínio impressionante das sombras.
Publicado pela Trem Fantasma, Sempre um Pouco Mais Distante pode não ser dos álbuns mais memoráveis de Corto Maltese, mas ainda assim carrega vários dos elementos que tornam suas histórias marcantes. Em resumo, uma leitura bem agradável, que encanta tanto nos diálogos quanto no traço refinado de Pratt.






