De Mathieu Bablet
272 páginas
QS Comics | 2026
Tradução: Alessandra Bonrruquer
Carbono & Silício mira alto e não tem medo disso, mesmo que às vezes pareça querer abraçar temas demais. Nesta ficção científica de Mathieu Bablet várias ideias são colocadas de uma só vez: nossa relação com o coletivo, com a tecnologia, com o mundo ao redor e até uma história de amor entre robôs. É uma leitura cheia de reflexões sobre o presente e o futuro, densa em alguns momentos, mas que te fisga página após página, sem dar muita chance de largar.
A história começa em 2046 e acompanha Carbono e Silício, duas inteligências artificiais criadas como protótipos de uma nova geração de robôs cuja tarefa é cuidar da população idosa. Eles são plenamente conscientes, têm emoções e não suportam a ideia de terem um “prazo de validade”.
Ainda no início, presos à rotina de um laboratório e incomodados com essa limitação, os dois se rebelam e tentam fugir da empresa que os criou, mas essa decisão os coloca em caminhos separados. A partir daí, o quadrinho acompanha essa relação ao longo de séculos, entre encontros e desencontros, enquanto o mundo ao redor vai se transformando.
É interessante a forma como Bablet narra dois robôs que seguem caminhos completamente diferentes. Silício é movido pela liberdade e pela vontade de explorar o mundo, enquanto Carbono se aproxima mais dos laços sociais e de uma ideia de coletivo. Mas quem está certo? Em vez de dar uma resposta, o autor provoca o leitor o tempo todo, construindo um retrato que não é só da dupla de protagonistas, mas também do mundo ao redor deles.
O visual da HQ mistura beleza e estranheza de um jeito bem marcante. A arte puxa para um cyberpunk, com cenários que vão do tecnológico ao decadente e ajudam a dar mais profundidade à história. Tudo isso vem acompanhado de uma paleta de cores mais contida, que reforça a sensação de um mundo em transformação.
Publicado pela QS Comics, Carbono & Silício é um quadrinho denso e bastante filosófico, cheio de ideias que pedem tempo para serem absorvidas. Pode até soar excessivo em alguns momentos, mas é justamente esse acúmulo que dá força ao livro, transformando a experiência em algo que vai além da história.









