De Chabouté (Adaptando conto de Jack London)
84 páginas
Pipoca & Nanquim | 2025
Tradução: Aline Zouvi
Acender uma Fogueira é uma batalha entre o homem e a natureza, o homem e a sua própria mente. Pelo olhar de Chabouté, o conto de Jack London transporta o leitor para o gélido Canadá, onde o protagonista viaja ao lado de seu cão para se encontrar com seu grupo de exploradores. É o fim do século XIX, a temperatura está a 45 graus abaixo de zero e o calor do fogo talvez garanta a única esperança deste homem chegar ao destino final.
O quadrinista francês usa a repetição de quadros e a criação da atmosfera para intensificar o impacto das palavras do texto original, apesar de modificações sutis. É possível sentir o frio cortante não só pelas paisagens congeladas, mas também pela linguagem corporal do protagonista. Os movimentos instintivos do cão também ganham atenção especial de Chabouté, conhecido por suas narrativas silenciosas.
A obra tem um impacto psicológico que, em partes, se deve à construção do conto original. Observar um homem que, em sua arrogância de ser superior, subestima o frio e se vê diante de sua impotência frente à natureza nos deixa tensos, nos faz pensar na nossa pequenez. Chabouté mantém tudo isso, porém exagera na repetição. Vários quadros, apesar de não sequenciais, parecem os mesmos e algumas cenas se tornam completamente dependentes do texto dos recordatórios para funcionar.
Destaque para o contraste entre o branco e os tons acinzentados da neve e o laranja quente da fogueira. É como se a cena realmente emanasse calor.
Publicado pela Pipoca & Nanquim, Acender uma Fogueira mantém a força de seu original. A adaptação pode não ser um dos auges do quadrinista que lançou obras como Solitário e Museu, mas garante um ótimo momento de leitura.