[Especial]

“A Jornada de Shuna”: Mangá de Hayao Miyazaki é redescoberto e Brasil aguarda sua vez

Inédito e ainda sem previsão de lançamento no Brasil, o livro adapta um conto popular tibetano.

27 outubro 2025


Um quadrinho escrito e ilustrado por Hayao Miyazaki tem sido redescoberto no ocidente graças a novas edições lançadas nos últimos anos na Europa. “Shuna no Tabi” (ou “A Jornada de Shuna”, em tradução livre) é um volume único, todo em cores, publicado pelo renomado animador japonês em 1983, mesmo período em que Miyazaki desenvolvia o mangá “Nausicaä do Vale do Vento”.

Inédito e ainda sem previsão de lançamento no Brasil, o livro apresenta a história de uma viagem que, segundo Miyazaki, é a adaptação do conto popular tibetano “O príncipe que se tornou um cachorro”. No mangá, Shuna é o príncipe de um país pobre onde a população, apesar do seu estado de extrema pobreza, trabalha com dedicação e aceita a própria condição modesta de vida.

Mas o jovem príncipe está determinado a mudar essa realidade. Decidido a salvar seu povo da fome, ele parte em busca de uma semente milagrosa. No entanto, essa semente só existe em uma terra distante, um lugar de onde ninguém jamais retornou. Ao longo da jornada, Shuna atravessa regiões misteriosas e ouve rumores perturbadores sobre seu destino, mas nada o faz desistir de sua missão.

Com cerca de 160 páginas, a obra é um testemunho do talento de Hayao Miyazaki como colorista. Apesar do prestígio do autor, foi apenas nos últimos anos que o álbum, um híbrido entre mangá e livro ilustrado — conhecido em japonês como emonogatari — tem chegado a países como França, Itália, Espanha e Alemanha.

Em setembro, “Shuna no Tabi” ganhou uma reedição francesa em formato de bolso e capa cartonada pela Sarbacane, que havia lançado o título pela primeira vez no país em 2023. Antes disso, no Ocidente, a obra chegou apenas aos Estados Unidos, em 2022, quando a editora First Second publicou, rendendo inclusive uma vitória no Prêmio Eisner, na categoria “Melhor Edição Norte-Americana de Material Asiático”, em 2023.

Capas da nova edição francesa e da versão publicada anteriormente.

No mesmo ano, “Shuna no Tabi” também foi publicado na Itália, pela Bao Publishing; na Espanha, pela Salamandra; e na Alemanha, pela Reprodukt, todas em edições de capa dura.

Em 2024, o livro ganhou sua primeira edição chinesa pela Taiwan Dongmai, a mesma editora responsável por lançar “Nausicaä” em mandarim. Já em 2025, além da nova edição de bolso francesa, a Bao Publishing voltou a publicar o título na Itália, desta vez em formato de capa cartão.

O único quadrinho de Hayao Miyazaki publicado no Brasil é “Nausicaä do Vale do Vento”, que em dezembro ganhará pela JBC o primeiro volume inédito em português em mais de 15 anos. Para o próximo ano, está previsto o lançamento de um guia ilustrado sobre a filmografia do Studio Ghibli pela editora Belas Letras. Já na França, o crítico de cinema Nicolas Rapold publicou neste mês um estudo sobre as inspirações que levaram Miyazaki a criar o universo de seus filmes.

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